Renato Irgang
Engenheiro Agrônomo, UFSC
Cenário para a Suinocultura em 2010 e 2011
A Suinocultura tem sido uma atividade econômica de altos e baixos. Grandes ofertas de carnes, crises econômicas de ordem nacional ou internacional e problemas sanitários geram verdadeiras fases de “porcas magras” para os Suinocultores, e exigem de muitos a “queima” de reservas econômicas para sua manutenção na atividade. Por outro lado, aumento da demanda de produtos suínos e economias em crescimento geram melhoria da remuneração, reaparecimento do lucro e aumento do nível de satisfação dos Suinocultores, especialmente quando há abundância e preços baixos dos insumos usados para produzir os animais, tais como o milho e o farelo de soja.
Qual o momento que vive atualmente a Agropecuária brasileira? Qual o cenário que podemos descrever para a Suinocultura para o ano em curso e para 2011?
Notícias recentes dão conta de que o Brasil cada vez mais se firma no mercado internacional como grande produtor e exportador de carnes. Atualmente é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango e ocupa a 4ª posição no “ranking” mundial dos exportadores de carne suína. Para 2020 prevê-se que será responsável por quase metade da oferta internacional de carnes, o que não se pode duvidar se o país erradicar de vez a febre aftosa.
Um fato importante a ressaltar é que o país apresenta aumento significativo na produção e oferta de grãos na safra atual em relação à safra de 2008/2009, o que significa que haverá mais milho e farelo de soja para a produção de suínos, a preços bons, o que reduzirá os custos de produção.
Além disso, na China, cuja economia cresce a um ritmo anual de 8%, o consumo de carnes por habitante por ano (em torno de 55 kg) ainda é baixo se comparado com o do Brasil (entre 80 e 90 kg), sugerindo que há um espaço considerável para aumento do consumo de carnes naquele país, o que causará um cenário favorável para a carne de suínos. No Brasil, aumentos da renda média da população e crescimento econômico anual de 5% indicam que o consumo de alimentos de boa qualidade protéica deverá aumentar, incluindo-se aí a carne suína.
Portanto, existem perspectivas favoráveis para a Suinocultura para os próximos dois anos.
O que o Suinocultor deve fazer nesse cenário favorável? Que atitudes deve tomar?
Entendemos que agora os Suinocultores devem dar atenção especial a três aspectos:
1) Aumentar de imediato o peso de abate dos animais para gerar mais renda com o mesmo número de animais comercializados. Um detalhe importante a observar é a conversão alimentar que aumenta com o peso dos animais. Nessa hora uma restrição de 10% do alimento consumido a partir dos 90 kg de peso vivo é uma boa aliada do produtor para melhorar a conversão alimentar.
2) Atender o aumento esperado do consumo investindo na melhoria da qualidade da produção. Isso significa melhorar os índices de produção da granja (aumentar a oferta sem aumentar o tamanho do plantel), e resulta em maior produção com menor custo por animal. Para isso é importante melhorar a mão-de-obra, o ambiente, as instalações e a genética, repondo o plantel com reprodutores de qualidade reconhecida. Aumentar a produção pelo aumento do tamanho do plantel é outra alternativa cujo retorno, porém, só poderá ser avaliado 10 a 12 meses mais tarde.
