Os setores agropecuário e exportador brasileiros devem
se fortalecer com a
crise financeira
internacional,
principalmente pelas
mudanças que estão
ocorrendo no câmbio,
apesar de a crise
estar tirando o sono
de muita gente ao
redor do mundo. A
avaliação é do
presidente da
Associação de
Produtores e
Exportadores de
Carne Suína (Abipecs),
Pedro de Camargo
Neto.
Segundo ele, o
patamar de
equilíbrio para que
a agropecuária
nacional continue
crescendo seria o
dólar na faixa de R$
2,20. "A agricultura
vinha sendo
prejudicada com o
câmbio. Bem ou mal,
esse novo patamar é
um fator de aumento
de competitividade
para a agricultura
brasileira",
explicou Camargo.
Ele considera que a
crise chegou num
momento em que o
país estava
preparado, o que
deve ajudá-lo a sair
dela mais rápido. "O
Brasil teve o fator
positivo de ter
reserva, o que nunca
teve", explicou.
Para Camargo, a
agricultura terá
ainda mais
importância para
compensar possíveis
quedas das
exportações de
outros setores. "É a
exportação agrícola
que vai agüentar o
rojão. Nos próximos
dois anos, a
agricultura vai ter
um papel fundamental
para manter a
balança comercial e
de pagamentos. Por
isso, é importante
que se plante
agora", disse.
Para que o setor
exerça o papel que
se espera dele,
Camargo disse que "a
curto prazo é
preciso aumentar as
linhas de crédito
para exportação, ou
ter uma linha que
funcione", e a médio
prazo, aumenta a
necessidade de se
pensar uma reforma
tributária, "pois,
claramente, a vida
vai ser mais
difícil".
Ele ressaltou que o
problema que tem
levado os produtores
rurais a cobrar
medidas rápidas do
governo se deve ao
fato de o crédito
ter desaparecido num
momento estratégico.
"Está no momento do
plantio e já foi
vendido muito
fertilizante. Falta
muito? Não. O
problema é que o
crédito foi para
zero. As tradings
tiveram um papel
cada vez mais
importante e o
crédito delas também
foi para zero",
alertou.
Mesmo assim, o
dirigente se mostra
otimista. "A crise
atrapalhou muita
gente, mas a nós,
dos setores
agropecuário e
exportador como um
todo, vai
beneficiar. Mas
demora ainda, demora
de três a quatro
meses para ver os
resultados quando
muda o câmbio".
O
setor de suínos está
estável, garantiu
Camargo,
acrescentando que
não há grandes
estoques no mundo, o
que mantém o preço.
Segundo ele, o mesmo
não ocorreu com a
carne bovina, porque
a Rússia, maior
mercado consumidor,
tinha estoques do
produto e pressionou
para rever os
contratos. O país
também é o maior
comprador da carne
suína brasileira,
sendo o destino de
40% das exportações.
Este ano, na
avaliação do
presidente da
Abipecs, o setor
deve arrecadar US$
1,8 bilhão com a
exportação de cerca
de 600 mil toneladas
de carne suína. O
valor é semelhante
ao alcançado no ano
passado, e Camargo
disse que a
tendência é se
manter. "Não está na
hora de crescer. Com
a crise, é hora de
manter mercados. É
importante que o
mercado interno se
mantenha
estabilizado para
que não tenhamos que
compensar nas
exportações, o que
será difícil",
explicou.
Camargo disse ainda
que as negociações
com outros países
levam tempo,
principalmente
quando se trata de
questões sanitárias,
mas afirmou que há
vários mercados
potenciais em
perspectiva. Este
ano são aguardadas
missões de técnicos
e empresários das
Filipinas, da África
do Sul e da
Venezuela, e para o
próximo ano da
China, da União
Européia e do Japão.
Os maiores
concorrentes do
Brasil no mercado
internacional de
carnes suínas são os
Estados Unidos e a
União Européia. As
informações são da
agência Brasil.
Fonte: Agência
Safras
Publicado por
suino.com