Influenza A (H1N1) - Web democratiza informação e evidências científicas
 

A velocidade com que a influenza A (H1N1) espalhou-se na Web foi maior que a propagação da doença pelo mundo. Este é sem dúvida um fato auspicioso. Uma pesquisa no Google com a frase “Influenza A H1N1” no dia 15 de maio de 2009 teve mais de 7,2 milhões de respostas, cerca de mil vezes mais que os 7.520 casos de seres humanos infectados que foram informados oficialmente no mesmo dia por 34 países segundo o registro oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Algumas semanas após a divulgação da epidemia no México têm sido observadas as mais variadas reações na Internet, como prenúncios de uma grande epidemia, polêmicas sobre a atuação das autoridades internacionais e nacionais, moções de solidariedade, exploração comercial, muito spam e, principalmente, muita informação valiosa. No conjunto a reação é muito positiva. "Estou impressionada com a capacidade que temos com as tecnologias de informação e comunicação", afirmou Mirta Roses Periago, Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e epidemiologista, em reportagem para a revista Science.

O fluxo de informação através da Web por meio de sites, hot sites, blogs, comunidades virtuais, twitters e outros meios mostra uma capacidade de disseminação de informação que supera qualquer outra tecnologia anterior, mantendo constantemente atualizados autoridades, pesquisadores e a população sobre os últimos acontecimentos ao redor do mundo relacionados à influenza A (H1N1). Este papel e presença da Web já tinham sido presenciados na epidemia da Síndrome Aguda Respiratória Severa (SARS) em 2003.

A Web serve também como meio para disponibilizar valiosas orientações das autoridades à população. Rádios e televisões replicam os conteúdos publicados nos sites da OMS e dos Ministérios de Saúde. Além disso, encontram-se na Internet coleções organizadas de artigos e documentos científicos e técnicos sobre a influenza A (H1N1) e doenças relacionadas, incluindo planos de ação em caso de pandemias.

Por enquanto, o vírus tem sido vencido pelo diagnóstico precoce e tratamento adequado. Após a emergência da epidemia no México e nos Estados Unidos, a resposta dos organismos internacionais e nacionais ao redor do mundo provou ser rápida e apropriada e o número de infectados e fatalidades tem crescido lentamente. São reconhecidas as atuações da OMS globalmente e da OPAS nas Américas em alertar a comunidade internacional e regional na formulação de orientações e cooperar tecnicamente com os países na implantação dos planos nacionais de preparação contra a influenza A (H1N1).

A reação oportuna dos organismos internacionais e dos governos nacionais diante de surtos e epidemias de doenças transmissíveis é crucial. Hoje é reconhecido que o atraso de semanas em informar os primeiros casos da SARS à OMS em 2003 resultou em perdas de vidas e de capital, que de outra forma seriam evitadas.

Salvo casos isolados, as lições aprendidas com a SARS e também com a gripe aviária estão servindo de informação para os planos de preparação contra a pandemia de influenza A (H1N1). O uso intenso da Web por parte da OMS, dos Ministérios de Saúde e outros organismos internacionais e nacionais tem facilitado o seguimento online da evolução da epidemia, o entendimento do vírus à medida que novas pesquisas são publicadas, assim como os métodos de diagnóstico e tratamentos.

Entretanto, persiste uma preocupação central sobre a equidade que é como assegurar que os países e populações mais pobres tenham acesso aos medicamentos e tratamentos de forma similar que os países e populações ricas? A solução certamente é implantar um programa solidário de cooperação internacional que siga as evidências científicas. Como reitera a Diretora da OMS, Margaret Chan, "uma pandemia de influenza é uma expressão extrema da necessidade de solidariedade global. Estamos todos juntos nisso. E vamos passar por isso, juntos", discursou reafirmando a preocupação com a pandemia.

Nesse sentido, é essencial a democratização da disseminação e do acesso à informação e evidências científicas relacionadas com a prevenção e controle, diagnóstico e tratamento. Merece destaque a liberação do acesso à informação científica e técnica que vem sendo realizada por um número significativo de provedores de conteúdos científicos normalmente comercializados, incluindo publishers, intermediários de produtos e serviços de informação.

Portal Influenza A (H1N1) na BVS

A Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS) lançou no começo de maio de 2009 o Portal Influenza A (H1N1) na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Disponível em espanhol, inglês e português, o portal tem por objetivo disseminar informação e evidências científicas atualizadas e responder à demanda de informação nos diferentes aspectos da doença para orientar a tomada de decisões.

A iniciativa complementa com informação científica e técnica da BVS e outras fontes as ações da OMS e OPAS. Baseado na metodologia da BVS de operar redes fontes de informação científica e técnica, o portal apresenta uma organização de conteúdos e de instrumentos de recuperação orientados a subsidiar processos de tomada de decisão em políticas, gestão, pesquisa, educação, prevenção, controle e atenção à saúde para fazer frente à influenza A (H1N1).

A rede de conteúdos do portal é formada por literatura científica e técnica selecionada e disponibilizada a partir das redes BVS e complementares. A iniciativa inclui também um repositório próprio para registro dos conteúdos em textos completos utilizando a metodologia LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) para descrição bibliográfica e indexação.

As fontes de informação encontram-se separadas por áreas temáticas como prevenção e controle, diagnóstico, tratamento, epidemiologia, virologia, entre outras. A busca na literatura e nos diretórios pode ser executada por meio de palavras livres ou descritores do thesaurus DeCS (Descritores em Ciências da Saúde). O conteúdo do portal também pode ser selecionado por fonte de informação, tipo de publicação ou ainda sites relevantes organizados no LIS (Localizador de Informação em Saúde), coletânea de perguntas frequentes disponibilizadas por organismos internacionais e instituições nacionais, entre outros conteúdos.

No diretório de meios de comunicação e interação, o portal seleciona um conjunto de fontes de notícias disponíveis a partir de RSS, de twitters e blogs relevantes, assim como eventos relacionados ao vírus A (H1N1). Uma novidade na metodologia é o uso de widgets para acesso à BVS a partir de qualquer site na Web. O widgets são ativados por meio de um código-fonte XHTML em páginas Web permitindo que sites ou blogs diversos recebam as atualizações do Portal Influenza A (H1N1). Assim, sempre que houver novo conteúdo em literatura científica e técnica, qualquer site que utiliza o widget receberá a mesma atualização.

O projeto considera também a formação de um Comitê Consultivo composto por especialistas da área e autoridades de instituições nacionais e internacionais para assessorar na seleção dos conteúdos, no estabelecimento de controles de qualidade, de prioridades e de modo geral na gestão e operação sustentável do portal.

Fonte: Rede de Notícias BVS
Publicado por suino.com

 

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