Gripe
A (H1N1): o que é
exagero e o que é
cuidado
A
influenza A, também
chamada de gripe
suína, desperta o
mesmo sintoma na
população: medo.
Pessoas usam
máscaras para ir ao
supermercado,
crianças saudáveis
que deixam de ir à
escola, casais que
fogem dos cinemas.
Mas até que ponto
essas medidas são
necessárias para
impedir o contágio?
A GAZETA ouviu
especialistas para
esclarecer a
diferença entre o
cuidado e o exagero.
Diante de tanta
preocupação, o
Ministério da Saúde
emitiu uma nota
informando que a
quantidade de casos
graves da Influenza
A e da gripe comum
são praticamente os
mesmos: 19% para a
nova gripe e 18,5%
para a gripe
sazonal.
A
coordenadora do
Controle de
Influenza no Estado,
Silvana Guasti, faz
coro e esclarece que
a Influenza A
(H1N1), na maioria
das vezes, tem uma
evolução semelhante
a uma gripe comum. "
É uma gripe que a
gente não conhecia.
Não com esse arranjo
genético do vírus.
Mas ela não vem se
apresentando no
mundo com um padrão
diferente da gripe
comum. Ela tem uma
forma muito parecida
e com evolução de
uma gripe comum",
comenta.
Ainda assim, é
preciso tomar alguns
cuidados. A
principal
recomendação é
redobrar a atenção
com a higiene. Como
a doença é
transmitida
principalmente por
meio do contato com
a secreção
respiratória das
pessoas doentes, é
importante lavar as
mãos e evitar tocar
os olhos e boca ao
longo do dia.
Outra indicação é
procurar lugares
arejados e com menos
pessoas, mas sem
comprometer os
momentos de lazer.
Crispim Cerutti
Júnior,
infectologista e
professor do
Departamento de
Medicina Social da
Ufes, sugere que, ao
ir ao cinema, a
pessoa evite as
salas lotadas. Outra
dica simples é levar
um frasco de álcool
em gel para a
academia e limpar as
mãos a cada cinco
minutos.
Grávidas, crianças
com menos de dois
anos, idosos e
pacientes com
doenças crônicas
estão entre os
grupos de risco.
Essas pessoas devem
receber o
tratamento,
preferencialmente,
até 48 horas após o
início dos sintomas.
Núcleo da Ufes fará
diagnóstico da
doença
A comprovação
laboratorial do
diagnóstico do vírus
da Influenza A
(H1N1), feita hoje
nos institutos
Adolfo Lutz, em
São Paulo, e Evandro
Chagas, em Belém, e
também pela Fiocruz,
no Rio de Janeiro,
também será feita
pelo de Núcleo de
Doenças Infecciosas
(NDI) da
Universidade Federal
do Espírito Santo (Ufes),
em Vitória.
O
trabalho, coordenado
pelo infectologista
Reinaldo Dietze,
entrará em
funcionamento dentro
de quatro semanas.
Mas a aplicação em
maior escala, para
diagnóstico de casos
da doença entre
capixabas, dependerá
da aprovação do
Ministério da Saúde
e de um convênio a
ser firmado com
órgãos de Saúde.
Dietze explicou que
há pouco mais de um
mês o Núcleo de
Doenças Infecciosas
da Ufes adquiriu,
por R$ 140 mil, um
equipamento de
biologia molecular
que é capaz de dar o
diagnóstico em uma
hora. O
infectologista disse
que o NDI adquiriu
reagente em
quantidade
necessária para a
realização de 500
exames.
No
dia 17 de agosto,
segundo Dietze, uma
reunião será
realizada em Vitória
com um técnico do
Ministério da Saúde,
porque a validação
do laboratório é
feita pelo órgão
federal. Mas o uso
do equipamento para
processamento de
exames diagnósticos
em maior escala está
condicionado,
segundo Dietze, a um
possível convênio
firmado com órgãos
de Saúde locais.
"Seria necessário
que o laboratório
dispusesse de
pessoal treinado
para funcionamento
diário, além do
treinamento de
médicos e
estruturação de uma
rede de referência e
contrarreferência de
unidades de saúde",
explica.
Mais
remédios para
tratamento
A Secretaria de
Estado da Saúde
aguarda a chegada de
mais 700 doses de
fosfato de
oseltamivir para
tratar adultos e
crianças contra a
Influenza A (H1N1).
Ontem, o Ministério
da Saúde deu início
à distribuição do
medicamento para
órgãos de Saúde de
todo o país.
Coordenador do
Centro de
Emergências em Saúde
Pública da
Secretaria da Saúde
(Sesa), Gilton
Almada, explica que
o órgão já dispõe de
200 doses para
adultos e 120 para
crianças. A Sesa
avalia a
possibilidade de
manter estoques em
hospitais regionais
da sua rede em
Colatina, Cachoeiro
e São Mateus, além
da Grande Vitória,
para facilitar a
logística de
transporte para
unidades que
solicitarem.
A
orientação do
Ministério da Saúde
é de que o
medicamento,
comercialmente
conhecido como
Tamiflu, só seja
utilizado nas
primeiras 48 horas
em que se manifeste
a síndrome
respiratória aguda
grave (febre alta, a
partir de 38°,
tosse, dor na
garganta e falta de
ar (dispnéia).
Também se aplica em
casos de idosos,
grávidas e pessoas
com baixa imunidade,
mesmo que apresentem
apenas síndrome
gripal.
A
Organização Mundial
da Saúde (OMS)
recomenda que a
venda de Tamiflu
continue a ocorrer
apenas com
orientação médica.
Mas abre a
possibilidade para
que os países que
contam com um
estoque
significativo do
remédio usem-no como
profilaxia.
Tire
suas dúvidas - Saiba
como se prevenir da
gripe em diversos
ambientes
Em
casa
1) Devo dormir com
as janelas abertas?
De preferência, sim.
O ambiente ventilado
é o mais adequado
para evitar gripe,
mas o cômodo não
pode ficar frio
2
)Devo desligar o
ar-condicionado?
Sim, evite o
ar-condicionado
3)
O que fazer com
copos e talheres?
Não compartilhe
4)
Se estiver com
sintomas da gripe,
devo evitar sair?
Sim. Se possível,
fique em repouso
No
trabalho
1)
O que devo evitar?
Não compartilhe
materiais de
escritório com os
colegas
2)
Se perceber que um
colega está com
sintomas de gripe, o
que fazer?
Sugira que ele
procure um médico
para saber se pode
continuar no
trabalho
Na
escola
1) Quando deixar de
frequentar as
aulas?
Se surgirem os
sintomas da gripe,
procure um médico
2)
Como lidar com o
compartilhamento de
material escolar?
O ideal é que cada
criança tenha seu
material didático
3)
Devo beber água em
bebedouros?
Não. Utilize copos
plásticos ou uma
caneca
4)
Profissionais da
educação devem ter
cuidado especial?
Quem lida com muitas
pessoas deve
redobrar os cuidados
com higiene, como
lavar bem as mãos,
evitar colocar as
mãos nos olhos e
boca, limpar os
utensílios com
álcool em gel
No
cinema
1) Deve-se
evitar esse
programa?
Se a sessão estiver
muito lotada, não
vá. Caso contrário,
pode assistir o
filme sem pânico
2)
Posso dividir um
pacote de pipocas?
Não. Evite dividir a
pipoca e lembre-se
de pegar o saquinho
com uma mão e comer
com a outra, sem
trocas
3)
Se perceber que a
pessoa ao meu lado
está com sintomas da
gripe, o que fazer?
Lembre-se de que nem
sempre uma tosse ou
espirro significa
gripe. Se a pessoa
estiver realmente
doente, dificilmente
ficará numa sala de
cinema até o final
No
restaurante
1) Que cuidados
deve-se ter em
relação ao toalete?
Depois de lavar as
mãos, feche a
torneira com papel
toalha
2)
Garçons e
cozinheiros devem
ter algum cuidado
especial?
Todo profissional
que lida com muita
gente deve lavar as
mãos e evitar
colocá-las nos olhos
e boca
No
shopping
1) Deve-se ter
algum cuidado
especial?
Evite cumprimentar
conhecidos com
beijos e abraços,
lave às mãos após
encostar no corrimão
das escadas
No
posto de saúde
1) É preciso estar
de máscara mesmo sem
ter os sintomas?
Não. A orientação do
Ministério da Saúde
é que as pessoas com
sintomas e os
profissionais que
estão atendendo usem
máscaras, os demais
não precisam
Na
balada
1) Ambientes
fechados representam
mais risco?
Sim. A gripe A
H1N1 é uma doença
respiratória e a
chance de contágio
aumenta em ambientes
fechados
2)
Há riscos na
paquera?
A transmissão
acontece de pessoa a
pessoa, por meio da
tosse, espirro ou
contato com
secreções
respiratórias.
Paquerar alguém com
gripe pode gerar a
transmissão
3)
Beber cerveja de
outra pessoa no
gargalo é perigoso?
Sim. Não compartilhe
copo ou garrafa
Na
academia
1) Como utilizar
os aparelhos de
forma segura?
Leve sempre um
frasco de álcool em
gel e limpe as mãos
a cada 5 minutos
2)
Há alguma atividade
a ser evitada se
estiver com sintomas
de gripe?
A pessoa com
sintomas da doença
deve fazer repouso e
evitar atividades
físicas
No
ônibus
1) Motorista e
cobrador estão mais
expostos?
A dica continua
sendo lavar as mãos
sempre. Se não for
possível, eles devem
usar álcool em gel
2)
Um espirro ao seu
lado é um risco?
Que outros cuidados
devem ser tomados?
Mantenha as janelas
abertas e o ambiente
arejado
Viagens
1) É preciso
cancelar a ida a
determinados lugares
no país?
Evite riscos
desnecessários.
Procure informações
sobre o destino e
evite a viagem,
principalmente, se
fizer parte do grupo
de fator de risco -
gestantes, pessoas
com menos de 2 anos
ou mais de 60,
pessoas com doenças
crônicas,
transplantados e com
HIV
2) Em aeroportos e
rodoviárias, há
cuidados
específicos?
Lave sempre as mãos
com água e sabão
Em
todas as situações
1) A que
distância de alguém
com sintomas?
Pelo menos 1m de
distância
2)
Lavar mão
resolve? De que
forma e em quanto
tempo?
Previne o contágio.
Lave as mãos
principalmente após
tossir ou espirrar
3)
Quem precisa usar a
máscara? Em que
casos?
A máscara é indicada
para quem tem
sintomas. Poderia
ser um recurso caso
o número de pessoas
com sintomas fosse
muito grande, o que
não ocorre por
enquanto
4)
De que forma devo
cumprimentar pessoas
sem riscos?
Evite beijos,
abraços e apertos de
mão no momento
Dúvidas gerais
1)
Quais grupos de
risco?
Grávidas; crianças
com menos de dois
anos ou mais de 60
anos; pessoas com
doenças crônicas,
como pulmonares e
cardiovasculares;
pacientes
imunoreprimidos,
como transplantados
e com HIV
2)
A gripe A H1 N1 é
mais grave que a
gripe comum?
Não
3)
Quais são os
sintomas da doença?
Principalmente,
febre, tosse e dor
na garganta. O
paciente pode ainda
ter coriza, dor no
corpo e até vômito
4)
Como se pega o
vírus?
De pessoa a pessoa,
principalmente, por
meio da tosse,
espirro ou contato
com secreções
5)
Como ela evolui?
Na maioria das vezes
para a cura. O
percentual de
doentes que
desenvolvem sintomas
graves é parecido
com a gripe comum
6)
Quando devo procurar
uma unidade de
saúde?
Quando tiver febre
acima de 38°C, tosse
dificuldade de
respirar
7)
Qual é o
tratamento?
Em geral, boa
alimentação e, em
alguns casos,
medicamento
8)
A automedicação é
perigosa?
Sempre. Ela pode
mascarar sintomas,
dificultar o
diagnóstico e causar
resistência ao vírus
9)
Posso tomar
medicamentos
caseiros?
Pode se manter
hidratado, com
sucos, chás e água
10) Como é o feito o
exame que confirma a
gripe?
Exame de secreção
nasofaringe
11) O isolamento é
necessário? Como é
feito?
Em toda doença de
transmissão
respiratória o
paciente deve evitar
contato próximo com
outras pessoas,
principalmente,
crianças e idosos.
Internação só
acontece em casos
graves, após
avaliação médica
Fontes: Crispim
Cerutti Júnior,
infectologista e
professor da Ufes;
Silvana Guasti,
coordenadora do
Controle de
Influenza no Estado
e Ministério da
Saúde
Publicado por
suino.com